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Publicações

A importância econômica e social do microcrédito

02 de março de 2006

As dificuldades econômico-sociais geradas pelo desempenho e pela concentração de renda têm desafiado os governantes no sentido de ampliar as oportunidades de novos empregos/ocupações. Na tentativa de obter renda para si e seus familiares, muitos chefes de família – entre estes grande incidência de mulheres – iniciam uma atividade econômica por conta própria, a partir do que “sabem fazer”. Muitos investem o que não possuem, na esperança de proporcionar “melhores dias aos seus”. Por menos que sejam, estes negócios podem ser reconhecidos como empresas, visto que investem, correm riscos e visam ao lucro.

O papel que os micronegócios desempenham na melhoria da qualidade de visa dessas famílias pode ser ampliado se as mesmas tiverem acesso a um dos ingredientes necessários à consolidação e crescimento dessas empresas – crédito. Apesar da importância sócio-econômica dos micronegócios, o crédito – um direito de cidadania – não lhes tem sido viabilizado. Mas o Banco do Cidadão atua com êxito mudando essa realidade em Alagoas.

DIFERENCIAL – As instituições bancárias, pelo fato de apenas visarem ao lucro, priorizam operações de maior vulto. Além disso, as exigências de documentação e garantias, os trâmites longos e burocráticos, os juros excessivos e a terminologia utilizada são fatores por demais complicados, constrangedores e de alto custo para as características dos proprietários de pequenos negócios. Acresça-se a isso o medo generalizado destes empresários de negociar com bancos.

Os negócios informais ou legalizados gerados pela necessidade de sobrevivência não podem ser comparados aos negócios informais que buscam ganhar sem contribuir. Estes, na realidade, são ato de sonegação voluntária, que deve ser fortemente combatida. Além disso não são objeto de programas de microcrédito. Aqueles são legítimos, por seus objetivos, e merecem ser apoiados, pois:

· São atividades produtivas importantes para a absorção de mão-de-obra, principalmente a menos qualificada; logo, são geradores de empregos/ocupações;

· São fontes significativas de qualificação profissional;

· Possibilitam, principalmente às mulheres chefes de família, integrar as necessidades do trabalho aos cuidados com a família, uma vez que os negócios funcionam na própria moradia;

· Quando incentivados e fortalecidos, tendem a solidificar-se e migrar para a economia formal, como exigência do mercado.

ESPECIFICIDADE DO SERVIÇO DE MICROCRÉDITOS

Para operar um programa de crédito aos pequenos negócios é importante compreender as especificidades desde serviço em razão das características pessoais destes empresários, da singularidade de cada processo produtivo, da qualidade da mão-de-obra utilizada e da repercussão social e econômica do trabalho que realizam. Este é um serviço de crédito diferenciado dos tradicionalmente conhecidos e precisa ser assumido com responsabilidade e qualidade. Os dirigentes e os RH que atuam em programas de microcréditos devem, antes de mais dada, ver o pobre como um indivíduo produtivo que necessita adquirir instrumentos de trabalho, que tem capacidade de saldar seus débitos, que quer educar seus filhos e, através de sua empresa, galgar melhores níveis de vida.

Além disso, precisam compreender que :

· Os pequenos empreendedores podem e devem pagar taxas que reflitam o custo real do dinheiro;

· A cobrança de taxas reais respeita a dignidade de empresário, que passa a encarar esta oportunidade não como um programa de assistência aos pobres, mas como uma fonte de crédito que lhe dá direito de exigir qualidade nos serviços prestados. Estabelece-se, assim, uma relação comercial;

· Programas subsidiados: tendem a perpetuar o paternalismo e o assistencialismo. Há pobres que necessitam de assistência, mas estes não são o público-alvo de um programa de crédito popular. O crédito é uma relação de negócio com vistas ao crescimento de uma atividade econômica; exigem injeções permanentes de recursos financeiros para manter a capacidade atual do programa ou para ampliar a clientela, assim como para aumentar o valor dos créditos de acordo com o crescimento dos negócios apoiados; não educam para o estabelecimento de futuras relações creditícias com as instituições financeiras e para o exercício pleno da atividade empresarial;

· Uma política eficaz de cobrança deve ser integrada ao crédito, pois o respeito humano pressupõe reconhecer direitos e cobrar deveres;

· O incentivo às pequenas unidades produtivas deve levar, também, ao progressivo fortalecimento e à legalização de sua situação econômica.

Propiciar crédito a estes micronegócios é também investir no desenvolvimento.

Fonte de pesquisa: Manual para Formação de Agentes

Banco do Cidadão. Rua Engenheiro Roberto Gonçalves Menezes, 105, Centro.
Maceió - AL. CEP: 57020-680. Fone/fax: (82) 3336.5563
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